Não é um stand up comedy, não é um monólogo de teatro e nem uma peça de comédia. A fluidez com que a atriz e palhaça Glaucy Fragoso passeia pelas linguagens cênicas é só um dos aspectos que faz de “Eu não sou daqui” um espetáculo imprescindível para os loucos tempos atuais.
Partindo de uma história pessoal, confessadamente autobiográfica, Glaucy reacende o riso pelo viés subversivo e transformador, como ferramenta consciente de resistência, luta e sobrevivência. Sim, é muito engraçado! E comovente! Existe um raro e delicado lugar onde as duas máscaras arquetípicas do teatro, da comédia e da tragédia, se encontram. É ali onde reside esse espetáculo.
A infância pobre no interior de Santa Catarina, a mudança para o Rio de Janeiro cercada por sonhos, apuros e dificuldades e as anedotas em torno da não-monogamia, do fazer teatral e de certos dogmas religiosos são alguns dos ingredientes que atravessam a narrativa e provocam, poderia assim dizer, gargalhadas profundas, inevitavelmente nos conduzindo a uma reflexão sobre a condição humana.
“Se eu quisesse riso fácil eu falava de c...”, diz a personagem, a certa altura. Sim, pode não ser fácil, pode até ser doloroso, mas não deixa de ser divertido... e necessário! Num momento em que a lógica opressora nos obriga a silenciar diante de certos temas, “Eu não sou daqui” demonstra a coragem de uma artista que ousou dar um “pio” a mais, e seguir adiante.
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